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Entidades trabalhistas criticam reforma da previdência durante audiência

por Guilherme Machado publicado 20/04/2017 19h10, última modificação 20/04/2017 19h15
Entidades trabalhistas criticam reforma da previdência durante audiência

Foto: Francisco Carvalho

Sindicatos e entidades de representantes de trabalhadores protestaram na tarde hoje, 20, contra a reforma da previdência que tramita no Congresso Nacional durante uma audiência pública promovida pelos vereadores Romário Policarpo (PTC) e Emilson Pereira (PTN). O evento ocorreu no plenário da Câmara Municipal de Goiânia. 

Vários presidentes das entidades participaram e se manifestaram. Compareceram também os deputados federais Delegado Waldir e Flávia Morais, além do senador gaúcho Paulo Paim. 

Paim entrou com pedido de CPI no Senado para investigar a previdência. Ela deverá ser instalada na próxima quarta-feira, 26, e pretende investigar os grandes devedores da previdência, como grandes empresas e bancos. Ele defendeu que seja convocada uma Assembleia Nacional Constituinte para fazer as reformas da previdência, eleitoral e trabalhista que estão sendo feitas. “Esse Congresso que está aí não tem moral para fazer nenhuma dessas reformas”, disse. 

Já Flávia Morais disse que o governo federal usa o argumento de que existe um deficit nas contas da previdência que não é comprovado. A presidente da Fundação Anfip (Associação dos Auditores Fiscais da Receita Federal) de Estudos da Seguridade Social e Tributários, Maria Inês Rezende, apontou que 42% do Orçamento Geral da União de 2015 foi usado somente para pagar juros a cerca de 75 mil aplicadores que investiram em títulos da dívida pública. O estudo é feito anualmente pela entidade. Disse que o governo calcula errado a projeção da previdência para o futuro, com previsão de salários muito acima da inflação e superestimando o envelhecimento da população. “Não há deficit na seguridade, nem dados demográficos que embasem essa reforma, o que existe é má gestão pelo governo".

“Está em marcha no Congresso Nacional a destruição de todo o sistema de proteção social nacional construído a duras penas de trabalhadores ao longo da história”, disse o presidente da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), João Domingos Gomes dos Santos. Para ele, o propósito da reforma é transferir o capital de produção dos trabalhadores para o sistema financeiro privado por meio das previdências privadas.

O vereador Romário Policarpo é presidente do Sindigoiânia. Ele demonstrou preocupação com o desconhecimento de boa parte da população, e até de parlamentares, sobre detalhes da reforma, que altera muitos artigos da CLT, e protestou contra os deputados que votaram pelo regime de urgência, que foi inicialmente rejeitado, mas depois aprovado na noite de ontem. “Eu quero que os sindicatos me ajudem a divulgar a cara dos deputados que votarem a favor dessa reforma. Isso que estão fazendo é um crime contra o trabalhador!”, disse.