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7º Encontro da campanha “Não Vai Ter Psiu!” reforça o papel da família no combate ao assédio

por Marcos Teixeira Wanderley publicado 06/11/2017 17h20, última modificação 07/11/2017 09h15

       “A luta pela igualdade de direitos entre os gêneros não é apenas das mulheres. Nós, homens, temos o dever de estar com elas nessa causa, que é universal. Daí a importância de educarmos e inspirarmos, com o nosso exemplo, as crianças a serem fraternas e justas. A mudança começa em casa, na família”, disse o presidente da Câmara Municipal de Goiânia, vereador Andrey Azeredo (PMDB), na manhã de hoje, no 7º Encontro em Defesa e Valorização da Mulher do projeto Semeando a Paz e campanha "Não Vai Ter Psiu!” na Faculdade Alfredo Nasser (Unifan). Com o tema "Assédio no ambiente de trabalho”, o evento lotou o auditório Professora Wilson Nina, na Faculdade.

       Na opinião de Andrey Azeredo, a transformação social necessária para prevenir e combater a cultura machista deve começar na educação das crianças, posicionamento também defendido pelas debatedoras convidadas. O Encontro foi prestigiado pela secretária Lêda Borges, gestora da Secretaria Cidadã e representante do governador Marconi Perillo; a secretária Célia Valadão, gestora da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres e representante do prefeito Iris Rezende; a coordenadora do Curso de Direito da Unifan, professora Neusa Valadares, representando a instituição, além de professores, servidores e alunos da Faculdade.

       Idealizador da campanha “Não Vai Ter Psiu!”, o presidente afirmou que “o assédio ainda é um crime muito subnotificado porque as vítimas, além de ficarem constrangidas e traumatizadas, ainda temem perder seus empregos. A base do assédio no trabalho é o uso do poder e ele também atinge os homens, mas as mulheres correspondem a cerca de 87% das vítimas, segundo pesquisas.” De acordo com ele, o objetivo desses encontros é o de combater todas e quaisquer formas de violência contra a mulher: “sempre convidamos profissionais de diversas áreas de atuação que unem-se para discutir temas, enfrentar tabus, trocar idéias, criticar e apontar soluções para os governos, a iniciativa privada, o meio acadêmico e os movimentos sociais. Acreditamos no poder da conscientização, da união de forças, da difusão do conhecimento e da empatia humana”.

 

Educação igualitária para meninas e meninos

      A professora, psicóloga e psicanalista Adriana Pinho, mestra em Psicologia Social e do Trabalho foi a mediadora da roda de conversa. Em sua fala inicial, criticou a ausência de políticas de prevenção, combate e denúncia ao assédio nas empresas, citou a “objetificação” da mulher e sentenciou: “a gente precisa de espaços sadios para trabalhar”. Adriana ressaltou que a educação das crianças é fundamental para mudar essa realidade: “os pais e responsáveis não podem criar os filhos com assimetria por causa do gênero. Meninas e meninos devem ter os mesmos direitos.”

      Jornalista e ex-deputada estadual, Rachel Azeredo foi a primeira debatedora a falar. Ela lembrou do início de sua carreira na comunicação, dos preconceitos que enfrentou, relatou episódios de assédio que vivenciou (inclusive de viés intelectual, com a desconstrução do trabalho dela por uma antiga chefe) e frisou que “no meu tempo a mulher não tinha pra quem reclamar. Hojeexiste uma rede de proteção que permite a quebra do silêncio. O assédio sexual antigamente era descarado, hoje é mais velado e cínico. Esse tipo de violência destrói a auto estima da mulher, traz enfermidades e isolamento”. Muito aplaudida pela platéia, Rachel conclamou as mulheres: “não se submetam ao assédio sexual, levantem a cabeça, reajam, imponham barreiras, façam uma rede de amizades ferrenha. Chegamos até aqui porque muitas mulheres resolveram contar, gritar e cobrar leis. Quanto mais denúncias existirem, quanto mais se falar a respeito, mais inibidos ficarão os assediadores.” Sobre como preparar as futuras gerações e prevenir abusos, ela foi categórica: “as famílias têm que educar dando regras e tarefas iguais para filhos e filhas. Se não for assim, já começa errado.”

       “Achei fantástico o nome dessa campanha, Não Vai Ter Psiu, porque mostra a cantada corriqueira, mas que não é banal”, disse a advogada e pós-graduanda em Direito do Trabalho Gabriela Falchi. Ela citou exemplos de assédio no ambiente das grandes empresas, orientou detalhadamente como se procurar ajuda para denunciar, tipificar o assédio e mover uma ação contra o assediante, além de indicar a legislação pertinente, como juntar provas e encaminhar a denúncia. Gabriela reforçou a importância de se denunciar, sempre, e com o respaldo de provas: “tudo que demonstre o teor, a constância e os meios usados pelo assediador, até conversas de whatsapp, pode e deve ser usado como evidência.”

       A última debatedora foi a jornalista Aniele Cristina, que fez uma descrição tocante e corajosa de diversos episódios de assédio que sofreu, como isso afetou gravemente a saúde dela e a luta solitária que ela travou para seguir em frente e enfrentar os constrangimentos sofridos. “Foi muito difícil aguentar em silêncio, me proteger, não obter apoio de pessoas próximas, até de familiares, e continuar trabalhando. Cheguei a procurar uma delegacia, mas não deu resultado”, disse. Após ver os culpados impunes e tolerar brincadeiras maldosas em mais de um emprego, ela ainda luta contra o trauma das humilhações e dificuldades vividas e pela reinserção no mercado de trabalho. Ao concluir suas palavras, Aniele conclamou: “pais e mães, cuidem e eduquem seus filhos para que eles sejam grandes mulheres e homens. E olhemos para nossas colegas, para a mulher ao lado. Talvez ela esteja precisando de ajuda.”

Semeando a Paz

      A realização deste 7º Encontro em Defesa e Valorização da Mulher na Faculdade teve um motivo mais do que especial para os organizadores. Foi lá, na Unifan, que surgiu o Projeto Semeando a Paz, das professoras Ilma Araújo e Neusa Valadares,hoje parceiro permanente da campanha Não Vai Ter Psiu.


Com informações da assessoria da presidência

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