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Câmara Municipal expõe a luta feminina contra a violência no 12º Encontro em Defesa da Mulher

por Marcos Teixeira Wanderley publicado 22/11/2018 10h05, última modificação 22/11/2018 12h19

“O que vemos na mídia e nos números oficiais sobre a violência contra as mulheres é apenas a ponta do iceberg. Ainda existe muito silêncio, medo e impunidade, e milhares estão sofrendo abusos, talvez prestes a serem feridas ou assassinadas, e nem sequer conseguem pedir ajuda ou admitir o que enfrentam por medo e vergonha”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Goiânia, vereador Andrey Azeredo (MDB), ao abrir o 12º Encontro em Defesa e Valorização da Mulher da campanha “Não Vai Ter Psiu!” e projeto “Semeando a Paz.”

Com o tema “Mulheres: A luta contra a violência”, o evento foi promovido pela Câmara Municipal na noite desta quarta-feira, 21 de novembro, no auditório do Tribunal do Júri do Núcleo de Prática Jurídica da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), no Setor Sul. O Encontro reuniu autoridades no assunto e estudantes universitários, a maioria destes do curso de Direito.

A Universo foi representada pelo professor Marcos José de Oliveira, mestre e gestor do Núcleo de Prática Jurídica, pelo suplente de vereador Álvaro da Universo (PSC), que assumirá mandato na Câmara no ano que vem, e pelo professor Walter Diesel, do curso de Administração de Empresas da Universidade.

Família: educação e exemplos

Como tem acontecido em todos os eventos, foi destacada pelos palestrantes a importância da família na prevenção da violência, educando as crianças, meninas e meninos, com igualdade, e dando exemplos de respeito às diferenças e de solidariedade. Todos também ressaltaram a indispensável consolidação da rede de amparo, proteção e enfrentamento aos casos de violência, e da mobilização da sociedade.

“Infelizmente, a ocorrência desses crimes continua altíssima. Goiás, por exemplo, é o segundo Estado brasileiro com mais feminicídios, que são o ponto máximo da violência contra as mulheres”, disse o presidente Andrey, idealizador da campanha “Não Vai Ter Psiu!”, instituída por ele em 1º de março de 2017 no Legislativo goianiense.

O Encontro teve uma roda de conversas com especialistas convidados abordando diferentes ângulos dos assunto, mediados pela advogada Ilma Araújo, servidora pública estadual, professora universitária e presidente da Associação Projeto Semeando a Paz.

Ignorância e violência desmedidas

“Vejo que estamos atingindo altos patamares de ignorância e essa violência desmedida é prova disso. A nossa vontade é de termos mais parceiros como vocês para continuar falando disso e orientando as pessoas. É um momento único estar aqui”, declarou a coronel PM Silvana Rosa, Comandante Regional de Rio Verde desde março deste ano, a primeira mulher a assumir o comando de uma grande Regional no Estado. Ela relatou casos de violência contra mulheres combatidos pela corporação dela e os desafios desse enfrentamento.

Banalização do discurso machista

Philipe Arapian, defensor público do Estado de Goiás, membro colaborador do Núcleo de Direitos Humanos e do Núcleo Especializado de Defesa e Promoção dos Direitos da Mulher, descreveu os trabalhos desenvolvidos na Defensoria e falou que é preocupante a onda conservadora que tem crescido no Brasil. “Estamos num momento no qual está banalizado o discurso machista”, afirmou. Dirigindo-se aos homens presentes no auditório, ele conclamou: “Tenham coragem de assumir seu machismo e mudar de comportamento. Não tenham receio, mesmo entre amigos, de criticar posturas assim. Cada um tem que fazer a sua parte e contribuir. Ponham-se no lugar das mulheres.”

Educação para o respeito

Cidinha Siqueira, ex-vereadora, pedagoga, psicóloga e pós-graduada em Administração, conhecida por defender as causas das mulheres, dos portadores de deficiências e da mobilidade, falou das relações familiares, da importância da educação com carinho na família para a formação de indivíduos com empatia e respeito pelo próximo para prevenir a violência: “Temos que agir na estrutura, senão é como enxugar gelo.”

A advogada militante das causas femininas Lise Sepúlvida Costa Póvoa, integrante do Coletivo “Em Nome Delas” e dos grupos do Núcleo de Estudos em Direitos Humanos da UFG e “Marias”, explicou os vários tipos e os ciclos de violência, como sexual, moral e patrimonial e apontou o isolamento das vítimas como uma estratégia dos agressores para que elas não tenham a quem recorrer. Ela também defendeu a importância dos exemplos dos pais porque os filhos tendem a reproduzir e naturalizar em suas vidas as agressões que viram em casa.

Projeto valioso de conscientização

Lise Póvoa afirmou que a mudança de comportamento só é possível com a conscientização dos jovens e adultos e com a educação para as crianças. Nesse sentido, ela elogiou: “Esses Encontros são de extrema valia, esse projeto do Andrey é maravilhoso.” Depois, ao abordar um dos mais horrendos crimes, o estupro, ela sentenciou:”Não é algo cometido por doentes, é fruto de uma relação de poder e machismo.”

Medidas que salvam vidas

Já o juiz Vitor Umbelino Soares Júnior, titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Rio Verde, magistrado com reconhecida experiência na área dos Direitos Humanos, falou de sua atuação, relatou casos e defendeu as medidas protetivas, instrumentos para impedir a aproximação de agressores a vítimas: “Apesar de muitos duvidarem de sua eficácia, elas salvam vidas. Quando chega um pedido para nós, paramos tudo para analisar com prioridade. Na maioria dos casos, a medida é urgente. Essa é uma área de altíssima sensibilidade e não podemos errar.”

O Encontro também contou com a apresentação de vídeos com matérias jornalísticas sobre violência doméstica com relatos de vítimas e seus familiares. Em cada história, as mulheres contaram como enfrentaram suas tragédias pessoais, a quem recorreram, como romperam o medo e o silêncio e como lutaram para enfrentar os traumas e retomar suas vidas.

 

Texto produzido pela assessora Polliana Martins

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