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Propostas para transporte público de qualidade são apresentadas em minicurso na Câmara

por Marcos Teixeira Wanderley publicado 26/03/2018 07h55, última modificação 26/03/2018 11h05

 A infraestrutura das cidades com novas modelagens de calçadas acessíveis, assim como a criação de trechos cicloviários são pontos indispensáveis para que a mobilidade urbana seja de fato implementada. A afirmação é da professora doutora Érika Kneib, que proferiu palestra na tarde da última sexta-feira, 23, durante o minicurso sobre mobilidade urbana, promovido pela Câmara Municipal de Goiânia, em parceira com o Instituto de Direito Administrativo (Idag), no auditório Carlos Eurico.

Após palestra do especialista Olmo Xavier, Érika Kneib abriu o tema falando acerca de alguns desafios que Goiânia enfrenta atualmente. “Somente Goiânia perde-se 835 milhões de reais com congestionamentos. O custo da poluição nas cidades brasileiras é de mais de 4 bilhões, a conta não fecha desse jeito", pontuou. Os acidentes também entram nessas estatísticas de alto custo. O prejuízo somente em Goiânia foi de 500 milhões de reais entre 2013 e 2015, segundo dados coletados pela professora.

Érika destacou também o desrespeito ao ciclista. Ela avalia que tanto pedestres e ciclistas enfrentam grandes desafios de mobilidade. “Os dois são os mais vulneráveis no espaço-trânsito, não tem jeito”, reclamou.

Outro dado apresentado é de que o transporte coletivo perdeu velocidade e competitividade porque não consegue competir com os carro e a moto, por exemplo, além de ter perdido a credibilidade. “A cada ano o transporte coletivo tem 10% a menos de passageiros”, informou Érika.

A falta de segurança e degradação dos bairros também entrou no rol dos problemas da mobilidade na Capital. A professora destacou que o nosso sistema viário tem uma hierarquia que privilegia a fluidez do automóvel. “Isso acontece agora nas regiões residenciais, o que degrada a localidade. Os bairros perdem a sua vitalidade inclusive econômica.” 

Modelo insustentável

“Todo mundo quer mudança, mas ninguém quer mudar. E qual a solução? Cidades mais coletivas. O individual tem que perder um pouquinho para o coletivo ser favorecido. O quê que cada um aqui está disposto a ceder?”, questionou a professora, que indicou raciocínios que organizam a mobilidade na cidade.

A partir de novos raciocínios de deslocamento e do quanto dá para se andar a pé, transitar de ônibus ou bicicleta, foram apresentadas propostas de soluções e também diretrizes categorizadas em 5 eixos: valorização do transporte público; priorização de pedestres e ciclistas; organização de atividades e densidades na região metropolitana; desencorajamento do uso do carro; e tornar o espaço urbano seguro.

A professora concluiu que a solução para melhorar o transporte está na cidade como um todo. "Se o crescimento é desordenado, não há favorecimento a uma mobilidade de qualidade. As medidas devem ser conjuntas e extrapolam o sistema de transporte coletivo”, acredita Érika.

Um órgão gestor do transporte público tem que conseguir tratar o transporte e o trânsito além de influenciar uma cidade compacta, conectada, mais densa, que prioriza a caminhada, que usa o transporte público. “Resolução para o transporte público não está mais no sistema, está na cidade”, reiterou a doutora.

Círculo vicioso do transporte público e soluções possíveis

Valorizar o transporte coletivo: o aumento dos preços dos insumos, a perda de qualidade e mais congestionamentos geram a perda de demanda e redução da receita, quebra de produtividade e desequilíbrio econômico-financeiro. O transporte público necessita de três elementos básicos para bom funcionamento: infraestrutura, financiamento e gestão.

Priorizar pedestres e ciclistas: recuperar o valor da rua enquanto espaço público de todos e para todos. As cidades precisam repensar a interação entre os modais.

Organizar as atividades e densidades: o deslocamento é uma atividade meio. “Se essa distribuição de atividades não for pensada para melhorar a mobilidade vai ser ainda mais difícil organizar”, afirmou Érika. Existe uma relação inversa entre a densidade populacional e a demanda com uso do transporte. O deslocamento na região metropolitana se resolve no sistema de gestão e organização no uso do solo e na reorganização das atividades dessas cidades.

Desencorajar o uso do carro: são cada vez maiores os espaços destinados a estacionamento. É preciso repensar.

Tornar o espaço urbano seguro: a questão urbana é fundamental para formar uma política de segurança pública. “A teoria da janela quebrada: o pequeno delito leva ao grande crime”, é uma pesquisa dos professores James Wilson e George Kelling. "Essa teoria consistia em deixar um carro estacionado com a janela quebrada. Num dia roubaram o som e nada foi feito. Na sequência dos dias o que se via era o carro cada vez mais arrombado. Esse experimento mudou os padrões de Nova York. A partir dele se fez a teoria de tolerância zero que se tornou eficiente para atuar na causa do problema. Ou seja, não se cometia o pequeno delito mais no transporte público por lá. Em todos os casos desses pequenos delitos, houve atuação imediata da polícia e eles deixaram de acontecer”, esclareceu.

Exemplos de boas políticas de planejamento urbano e mobilidade também resolveram problemas de segurança pública. Bogotá é uma dessas cidades. “Medelin também implantou há alguns anos um projeto de urbanização de periferia e resgate de cidadania que fomentou uma política de segurança pública e não de combate à violência como vemos aqui no Brasil e isso mudou a realidade por lá", destacou a professora.

Para finalizar, Érika sugeriu que todos se atentem ao Plano Diretor da cidade, que logo chegará à Câmara para avaliação e votação. “Tem coisas lá que precisam ser melhoradas e somente a colaboração da população para repensarmos a cidade e o plano que queremos”, sugeriu a doutora.

A Câmara Municipal irá realizar mais eventos sobre as temáticas do Plano Diretor da Capital. As informações e inscrições estarão disponíveis no site da Casa. Para o presidente Andrey Azeredo, é imprescindível que as pessoas interessadas participem para que a avaliação do Plano Diretor seja um trabalho conjunto entre a população e os parlamentares. “Esses minicursos gratuitos oferecidos pela Câmara estão sendo realizados para primeiramente informar e nos repassar conhecimentos. A partir disso, usaremos essas informações para avaliar o melhor projeto para a nossa cidade. Todos podem e devem contribuir na construção desse planejamento”, ressaltou Andrey Azeredo. 

Com informações da assessoria de imprensa da Presidência 

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