Apresentado pedido de abertura de CEI para investigar ocupação de leitos privados de UTI

por Guilherme Machado publicado 23/06/2020 18h40, última modificação 24/06/2020 11h26

A sessão plenária da Câmara desta terça-feira (23) foi marcada pela apresentação de uma proposta de instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar a ocupação dos leitos de UTI na rede privada. A proposição é do vereador Dr. Paulo Daher (PMN). 

O presidente da Câmara, Romário Policarpo (Patriota), explicou o motivo da investigação dizendo que há a suspeita de cobrança de valores bem mais altos do que os praticados normalmente pelo uso desses leitos pelo poder público com a justificativa de que estão escassos. 

“Algo em Goiânia tem me chamado a atenção: aqui é a primeira cidade do Brasil onde o sistema particular de saúde está entrando em colapso primeiro que o sistema público”, afirmou Policarpo. “Uma UTI era alugada por R$ 1.800,00 para o poder público e planos de saúde. Com a pandemia, o mesmo leito passou a custar R$ 3 mil. A Prefeitura contratou o uso de cem leitos e, da noite para o dia, 80 leitos foram ocupados, sumiram dos hospitais particulares, só restaram 20. Agora, o preço do leito ao poder público passou para a casa dos R$ 6 mil”, denunciou ele. 

“Esta Casa tem o dever de entender o que está acontecendo no comércio dessas vagas de UTI. Nós respeitamos o livre comércio, mas entendemos que, num momento de pandemia que estamos vivendo, não se pode tolerar que os cofres públicos sejam ainda mais sacrificados. Se for constatado que hospitais particulares estão escondendo leitos de UTI para aumentar os preços, com certeza esta Casa fará as denúncias cabíveis”, completou. 

O vice-presidente Clécio Alves, líder do MDB na Câmara, pediu para que os vereadores do partido, que é maior bancada da Casa, com dez parlamentares, não assinassem o pedido de CEI até que fosse feita uma reunião dos integrantes com o prefeito Iris Rezende, que também é do MDB, hoje, às 15h30, no Paço Municipal. 

Reabertura do comércio 

Esta semana, a sessão plenária foi realizada de forma inédita, com a participação simultânea de alguns vereadores pessoalmente no plenário da Câmara e outros virtualmente em suas casas. Todos parabenizaram o Sindicato dos Condomínios e Imobiliárias de Goiás (Secovi) pelo pedido de derrubada da liminar que impedia o cumprimento do decreto do prefeito Iris Rezende de reabertura do comércio na capital que foi acatado pelo desembargador Luis Eduardo Souza, do Tribunal de Justiça de Goiás, na noite de ontem. Hoje, comércio varejista e atacadista, shoppings, serviços e escritórios de profissionais liberais puderam reabrir seguindo protocolos sanitários. 

“Aquelas pessoas que puderem, fiquem em casa, mas, por favor, respeitem o direito dos outros que precisam sair para trabalhar. Hoje temos mais de 40 mil empregos perdidos. Este é o estrago que essa pandemia já fez na nossa cidade. Nós, como homens públicos, temos que ter a responsabilidade de tomar as decisões necessárias nas horas necessárias, mesmo que algumas pessoas não concordem com elas. Nós não vamos deixar essa cidade morrer, nem ficar para trás”, comentou mais uma vez o presidente Romário Policarpo. 

Mais denúncias 

Felisberto Tavares (Podemos) denunciou a má qualidade da construção das calçadas da Praça do Trabalhador, local que está sendo reformado para voltar a abrigar a Feira Hippie. Um vídeo apresentado pelo vereador mostrou que o piso construído tem espessura muito fina para o fluxo de pessoas que passarão no local e que, por causa disso, logo estará danificado. Segundo ele, a construção está atrasada há mais de seis meses e fora das especificações constantes no contrato da obra feito pela Prefeitura. “Os feirantes estão revoltados com esta obra porque, além da demora para terminar e de estarem impedidos de trabalhar, eles estão certos de que ela não vai resistir por muito tempo e vão ter seu trabalho prejudicado novamente quando retornarem.” 

O vereador criticou o decreto de flexibilização das regras de abertura do comércio por ter deixado de fora a permissão de funcionamento das feiras especiais, como a Feira Hippie, e pediu a inclusão delas. “Eu conclamo a todos os vereadores que façam o mesmo esforço que fizeram para incluir o Mercado da Rua 3 no decreto e permitam que os feirantes da Feira Hippie voltem a trabalhar logo, antes de terminar a obra. Eles estão padecendo e precisando de doação de cestas para sobreviverem.” 

Já o vereador Sargento Novandir (Republicanos), questionou o porquê de a Prefeitura ter recapeado a Av. GB-27, no Jardim Guanabara II, sendo que lá havia asfalto de boa qualidade, mas ter deixado de fora do plano de reconstrução asfáltica outras ruas do bairro que estão esburacadas. 

Rogério Cruz (Republicanos) apresentou e teve aprovado um requerimento solicitando que a Prefeitura apresente o estudo técnico feito para indicar quais ruas e avenidas precisariam ser recapeadas. Ele citou o caso da Avenida Castelo Branco, que também não teria necessidade de ter o asfalto trocado devido ao piso anterior estar em boas condições.